O Simples Nacional sempre foi o “porto seguro” da pequena e média empresa brasileira. A promessa de uma guia única (DAS) e alíquotas reduzidas trouxe milhões de empreendedores para a formalidade. No entanto, com a chegada da Reforma Tributária (IBS e CBS), esse cenário está prestes a mudar drasticamente.
Se você acredita que sua empresa está “blindada” só por estar no Simples, este artigo é um alerta necessário.
O Fim da “Simplicidade” na Cadeia de Créditos
Atualmente, o Simples Nacional funciona em um sistema de “monofasia” ou substituição tributária em muitos casos. Com a Reforma, o novo sistema de IVA (Imposto sobre Valor Agregado) será baseado em créditos financeiros.
Aqui mora o perigo para o pequeno empresário:
- O Dilema do Crédito: As empresas que compram do Simples Nacional só poderão tomar crédito do que foi efetivamente pago de IBS e CBS dentro da guia do Simples. Isso é muito menor do que a alíquota cheia do novo sistema.
- Perda de Competitividade: Clientes que estão no Lucro Real ou Presumido podem preferir comprar de fornecedores que não são do Simples para poderem abater mais créditos em suas operações.
O Sistema Híbrido: A Escolha Difícil
A Reforma permitirá que empresas do Simples Nacional escolham:
- Continuar pagando tudo na guia única (DAS), mas transferindo pouco crédito para o cliente.
- Pagar o IBS e a CBS por fora do Simples, pelo sistema de débito e crédito, e manter os outros impostos (como o IRPJ e a CSLL) dentro da guia única.
Essa escolha não pode ser feita no “achismo”. Ela exigirá um cálculo matemático rigoroso de fluxo de caixa e impacto comercial.
O “Split Payment” e a Retenção no Ato
Outra mudança que afetará o Simples é o Split Payment. No novo modelo, quando você fizer uma venda, o imposto poderá ser retido no exato momento da liquidação financeira (pelo banco ou plataforma de pagamento).
Isso significa que o empresário do Simples perderá a gestão do seu fluxo de caixa, já que o imposto não será pago apenas no dia 20 do mês seguinte, mas sim “na hora”.
Como se preparar para 2026?
O Simples Nacional não vai acabar, mas ele deixará de ser a melhor opção para todos de forma automática. O planejamento tributário agora é uma questão de sobrevivência:
- Análise de Cadeia: Avalie quem são seus clientes. Se você vende para outras empresas (B2B), talvez precise sair do Simples para não perder contratos.
- Cálculo de Margem: O custo tributário “escondido” na falta de crédito pode corroer seu lucro.
- Transição de Regime: Janeiro de cada ano é a janela de oportunidade para mudar seu regime. Em 2026, essa decisão será a mais importante da década para o seu negócio.
Conclusão
A Reforma Tributária traz modernização, mas traz também o fim da zona de conforto. O Simples Nacional continuará existindo, mas sua eficiência dependerá de uma estratégia jurídica e contábil muito mais apurada.
Sua empresa está pronta para simular o novo cenário? Não deixe para entender a reforma quando o boleto chegar maior. O planejamento começa hoje.