Sua empresa está preparada para o impacto da Reforma Tributária no fluxo de caixa?

A transição para o novo modelo tributário brasileiro (IBS e CBS) já começou a redesenhar o cenário empresarial. No entanto, muitos gestores e empresários estão cometendo um erro estratégico grave: focar apenas nas alíquotas e ignorar o impacto direto no fluxo de caixa.

Como advogada tributarista, meu alerta é claro: a Reforma Tributária não mudará apenas quanto você paga, mas como e quando o dinheiro sai da sua conta.

O Fim do Diferimento e o Novo Ritmo de Recolhimento

Um dos pilares da reforma é o princípio do destino. Isso significa que a arrecadação ocorrerá no local do consumo. Para as empresas, a maior mudança no fluxo de caixa virá do sistema de créditos financeiros.

Diferente do modelo atual, onde muitos créditos são físicos ou acumulados de forma lenta, o novo sistema promete a “não cumulatividade plena”. Na teoria, é excelente. Na prática, o fluxo de caixa pode sofrer se a empresa não tiver uma gestão rigorosa de suas entradas e saídas:

  1. Créditos em Dinheiro: O governo promete devolver saldos credores de forma mais rápida, mas até que isso se normalize, o “estoque” de créditos pode representar dinheiro parado.
  2. Split Payment: A implementação do pagamento imediato do tributo no momento da liquidação financeira (o imposto é retido na transação) mudará drasticamente a disponibilidade de caixa imediata das empresas.

O Risco do Setor de Serviços

Se a sua empresa é do setor de serviços, a atenção deve ser redobrada. Com a unificação dos tributos, muitas empresas desse setor — que antes pagavam alíquotas menores de ISS e PIS/COFINS — enfrentarão um aumento na carga nominal. Sem um planejamento para repasse de custos ou otimização de créditos, a margem de lucro pode ser severamente comprimida já nos primeiros meses de transição.

Como proteger o seu caixa agora?

Não esperar até o último momento é a única forma de garantir a saúde financeira do seu negócio. O planejamento tributário para 2026 deve incluir:

  • Auditoria de Créditos Acumulados: O que acontecerá com os créditos de ICMS e PIS/COFINS que sua empresa ainda tem? Existe uma regra de transição que precisa ser aproveitada para que esse valor não se perca.
  • Simulação de Cenários: Comparar o modelo atual com o novo sistema para entender qual será a necessidade de capital de giro adicional após o início do split payment.
  • Revisão de Contratos: Ajustar cláusulas de preços com fornecedores e clientes prevendo as novas alíquotas.

Conclusão

A Reforma Tributária pode ser uma aliada da simplificação, mas é uma inimiga da falta de planejamento. O fluxo de caixa é o coração da sua empresa; qualquer alteração no ritmo de saída de capital sem a devida preparação pode ser fatal.

Sua empresa já possui um estudo de impacto para o novo modelo tributário? O momento de ajustar as velas é agora, antes que a maré da transição suba.


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